Olá!
Com o objetivo de integrar mais a Revista à cena artística independente e valorizar o trabalho de artistas locais, apresentamos aos nossos leitores a primeira edição da Galeria Wanda ✨
Através da nossa curadoria, iremos compartilhar com vocês talentos da música, da pintura, da fotografia e da literatura. Além de expor e divulgar as obras, a cada edição traremos o quadro “Envolvimentos”, no qual batemos um papo rápido com um dos artistas convidados.
Esperamos que gostem!
Uma outra história do chão
Por Lucas Matoso

Confira os outros trabalhos de Lucas em https://lucasmatoso.com/.
Dias de Pedra

1. meu nome é pedra e pedra é o meu corpo precisamos mesmo demolir pedra após pedra? meu nome é pedra e pedra é o meu corpo assim me arquiteto (vou contar para você: sabia que há um tempo os livros eram escritos em pedras?) meu nome é pedra e pedra é o meu corpo graças a deus que as pedras são só pedras meu nome é pedra e pedra é o meu corpo porque em certa circunstância li a pedra filosofal do sena e de vários outros poetas pois todas as pedras são filosofáveis não se dizer o que meus versos dizem de mim mas a pedra medita silenciosamente e eu também embora esteja berrando com as mãos
Poema parte do livro “Dias de Pedra” (2023), de Isabelle Scalambrini.
Sem título
De Pedro Patti
Confira outros trabalhos de Pedro em https://www.pedropatti.com/ .
Envolvimentos com Clara Salles
Na primeira edição do quadro Envolvimentos, conversamos com a artista visual mineira Clara Salles, 21, sobre o ser artista, suas referências, e sobre a exposição Meu Peito é Uma Ilha, em que ela explora a memória e os afetos despertados por um lugar que viveu quando criança.
Inspirada principalmente por Clarice Lispector em As águas do mundo, Clara trabalha com desenhos, gravuras, objetos, fotografias, bordados e pinturas, criando um inventário poético e experimental que converge para um lugar imaginado.
A exposição acontece no Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte, e tem visitação gratuita.



Revista Wanda: O que é ser artista para você?
Clara Salles: Ser artista, para mim, é algo difícil de definir, porque eu acredito que existem vários tipos de artista, várias formas de pensar o que é arte. Mas eu acho que o que tem em comum entre os artistas é a linguagem, uma forma de inventar uma nova linguagem dentro da já existente. Eu acho que isso é uma coisa que, na verdade, todo mundo deveria fazer: criar sua própria linguagem como uma forma de fazer a vida valer a pena mesmo. E o artista faz isso naturalmente, pegar o que o mundo está oferecendo para ele e ver aquilo de um jeito próprio.
E essa linguagem está além de ser uma criação, um objeto, uma obra de arte, mas tem a ver com uma ideia que é colocada no mundo. Para mim, o pensamento intelectual e o fazer estão muito ligados. O escultor Joseph Beuys falava que pensar é esculpir. E realmente, eu acho que as duas coisas estão muito juntas: pintar é pensar e pensar é pintar, de certa forma.
Como a sua trajetória artística levou à criação dessa exposição? Como a citação de Clarice Lispector inspirou a concepção de "Meu Peito É Uma Ilha"?
A construção dessa exposição tem muito a ver com a produção. Eu acho que o trabalho vai falando, vai mostrando as direções, a narrativa que essa exposição vai passar. Mas, além disso, teve uma coisa muito importante — que eu acho que é importante para todos os artistas, principalmente os contemporâneos — que é a vivência. Esses dias eu estava vendo um artista falando que no início da carreira dele, ele mostrou um trabalho para um outro artista mais experiente e ele achou que esse artista iria falar de pontos formais, pontos da técnica do trabalho dele, mas o artista mais velho perguntou: o que você está lendo? que está ouvindo? Então, eu acho que essa coisa de estar rodeado de vida, das coisas que a gente acredita, de estar aprendendo com isso é muito importante.
Para mim, especificamente, tem essa vila, que eu morei, mas não tenho contato desde a minha infância. Então, é sobre eu ter entrado nesse lugar, assim como a personagem da Clarice entra no mar, e ser meio que transformada por isso. A exposição tem um olhar meu, algo de uma psicogeografia, que vai para além de localizar um espaço, mas para fabulação disso dentro de mim. Tem muito a ver com ter morado nesse lugar, com ter aprendido com as pessoas, com o espaço, com o mar.
O mar está muito presente no meu trabalho, e esse conto da Clarice apareceu numa hora muito importante assim para mim, que eu fui conseguindo fazer essas conexões do meu trabalho com o que já estava ali. É engraçado, a gente às vezes faz uma coisa e só vai entender o que a gente fez muito tempo depois. Quando eu peguei esse conto da Clarice, foi como se tudo — apesar da escrita da Clarice não propôs fazermos sentido — foi como se as coisas se ligassem de uma forma muito bonita, de uma forma muito orgânica mesmo.
Além de Clarice, que outras referências literárias e artísticas influenciam seu trabalho?
No começo, eu não tinha [a ideia] da exposição pronta, ela foi acontecendo. É uma coisa muito engraçada, como que as conexões vão se dando. Eu encontrei um livro chamado A Mulher das Dunas, do escritor Kobo Abe, que é uma coisa meio ficcional, assim, de uma praia no Japão com muitas dunas... E um homem, que tinha como hobby caçar insetos, um dia caçando insetos encontra também uns pescadores, e acaba sendo capturado por uma mulher, enfim. Mas o dia dessas pessoas que ele encontra é tirar areia da casa, porque senão a areia vai invadir o espaço, a areia vai tomando conta. E isso foi exatamente o fez a ponte com o lugar da minha pesquisa: a areia tomou conta do espaço e uma nova vila foi criada.
Além disso, eu gosto muito de poesia. A Sophia de Mello Breyner também foi uma grande referência para mim e para o meu trabalho, porque ela tem essa relação com o mar, em uma escrita muito bonita. Tem Hilda Hilst, Conceição Evaristo, Manoel de Barros, Ingeborg Bachmann, Elisa Lucinda… enfim, muitas referências. Eu também li um livro lindo, chamado A brecha - uma reviravolta quilombola, que conta um pouco do Ticumbi, que é uma festa específica da região do Norte de Espírito Santo. Mas a Clarice é a grande referência. A forma da escrita dela é algo que está muito atrelado ao meu trabalho.
Indique um artista que você gosta e acha que mais pessoas deveriam conhecer
Abel Rodríguez, ele tem um trabalho muito encantador! Ele é um homem indígena da Colômbia que desde pequeno foi treinado por um tio a ser nomeador de plantas. Então, ele vai identificando a botânica a partir do desenho. E são desenhos maravilhosos! Mas fora a beleza do desenho em si, tem a beleza de nomear. Acho que essa prática costuma ser muito colonial e o Abel inverte um pouco isso. Ele disse, em uma exposição que fez, que ele cria um ecossistema de uma “ciência errante”, cria novas possibilidades híbridas das plantas
Wanda indica!
Últimos lançamentos
Júlia Mestre - single “SOU FERA”
Celacanto - single “Cedo”
Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro - “NOVA ERA / OHAYO SARAVÁ”
5 a Seco - álbum “Sentido”
Caju - EP “Turmalina”
Essas e outras indicações da Wanda, você confere na nossa playlist no Spotify!
Pra sair um pouco das redes sociais
Um livro - Esboço de Rachel Cusk
Uma série - Ruptura (disponível na Apple TV)
Um filme - Tudo sobre Minha Mãe (1999)
Um rolê - Assistir os filmes indicados ao Oscar n’O Quinteiro
Um texto - A nostalgia está matando a criatividade?
Agenda cultural
Shows, espetáculos e outros rolês
Data: 22 de fevereiro
Local: Casa Off - Avenida Teresa Cristina, 1060, Carlos Prates – Belo Horizonte
Horário: a partir das 17h
Entrada: ingressos a partir de R$45,00
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Quartinho ouve “De Primeira” - Marina Sena
Data: 26 de fevereiro
Horário: 19h
Local: a ser divulgado
Entrada: gratuita
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Data: 15 de março
Local: Befly Hall - Av. Nossa Sra. do Carmo, 230, Savassi – Belo Horizonte
Horário: 22h
Entrada: ingressos entre R$ 130,00 e R$ 360,00
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RACHEL REIS – ACÚSTICO DA SEREIONA
Data: 21 de março
Local: Sesc Palladium - Rua Rio de Janeiro, 1046 - Belo Horizonte
Horário: 21hh
Entrada: Ingressos entre R$ 40,00 e R$ 140,00
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Irmãos Bicho + Rafa Bicalho + Matheus Who
Data: 22 de março
Local: Casa Matriz - Rua Espírito Santo, 1275, Centro - Belo Horizonte
Horário: 19h
Entrada: Ingressos R$ 20,00 (+ R$ 2,50 taxa)
Exposições, feiras e oficinas
12ª Festival do Japão em Minas 2025
Data: de sexta-feira (21/02) à domingo (23/02)
Local: Expominas - Avenida Amazonas, 6200, Gameleira - Belo Horizonte
Horário: consultar programação
Entrada: ingressos R$ 20,00 (meia-entrada) / R$ 40,00 (inteira)
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Exposição | “Meu peito é uma ilha”- Clara Salles
Data: até 02 de março
Local: Museu de Artes e Ofícios - Praça da Estação, 600, Centro - Belo Horizonte
Horário: De terça a sexta das 11h às 17h e aos sábados das 9h às 17h
Entrada: Gratuita






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